Hoje afirmo que não sabemos quem somos, qual o sentido da vida, para onde vamos ou de onde viemos. Ninguém sabe. Mas como não preocupar-se com isso? Essa é a essência, somos nós. Não interessar-se por esses problemas é não interessar-se por si mesmo.
Mas como diz Fernando Anitelli: "É mais fácil conviver com a tristeza generalizada do que romper com as correntes de preguiça". Preguiça sim! As pessoas têm preguiça (ou medo?) de pensar. Hoje, durante uma palestra com um filósofo, lembrei de Sócrates.
Sócrates foi um filósofo grego da antiguidade, autor da famosa frase "Só sei que nada sei". Como não se considerava sábio (mas queria sê-lo) ele caminhava pela cidade de Atenas, conversando com as pessoas que eram consideradas na sociedade os grandes sábios, em busca das respostas para suas perguntas. O que ele acabava fazendo, era convencer as pessoas de sua própria ignorância, pois aqueles considerados sábios, sabiam o mesmo nada sobre a vida que Sócrates. O que aconteceu com o nosso filósofo? Foi morto. Condenado a beber um veneno letal em praça pública, caso não retirasse suas palavras (e não o fez).
A humanidade progride, e permanece a mesma. Hoje em dia, são Sócrates todos aqueles que nunca estão satisfeitos com o que sabem. Ser Sócrates é querer sempre mais. Infelizmente, esses são os curingas de um grande baralho, e enquanto a humanidade permanecer humana, será assim.
- Agradecimento ao filósofo Márcio Mallmann e à sua palestra maravilhosa.
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terça-feira, 10 de novembro de 2009
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
De um certo arrepio
Foi quando ela disse a frase mais clichê que existe, que eu vi que era sincero.
"Quero que vocês todos sejam felizes"
Me arrepiou, e agora ficou em mim...
"Quero que vocês todos sejam felizes"
Me arrepiou, e agora ficou em mim...
Para mamãe
Ela me disse que eu estava no caminho errado, e eu respondi que então são os erros o que eu mais quero.
Então perguntei-a: Pra que Deus, se te tenho?
E ela se ofendeu.
Mamãe, eu sou ateia.
Então perguntei-a: Pra que Deus, se te tenho?
E ela se ofendeu.
Mamãe, eu sou ateia.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Provérbio literário
"A literatura, como toda a arte, é uma confissão de que a vida não basta".
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa
domingo, 11 de outubro de 2009
Eterno Retorno
"E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: "Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência - e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez - e tu com ela, poeirinha da poeira!". Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías: "Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!" Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: "Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?" pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?"
Trecho de "A gaia da ciência", de Friedrich Nietzsche.
Trecho de "A gaia da ciência", de Friedrich Nietzsche.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Cocktail Party - Mario Quintana
"Não tenho vergonha de dizer que estou triste,
Não dessa tristeza ignominiosa dos que, em vez de se matarem, fazem poemas.
Estou triste porque vocês são burros e feios
E não morrem nunca...
Minha alma assenta-se no cordão da calçada
E chora,
Olhando as poças barrentas que a chuva deixou.
Eu sigo adiante. Misturo-me a vocês. Acho vocês uns amores.
Na minha cara há um vasto sorriso pintado a vermelhão.
E trocamos brindes,
Acreditamos em tudo o que vem nos jornais.
Somos democratas e escravocratas.
Nossas almas? Sei lá!
Mas como são belos os filmes coloridos!
(Ainda mais os de assuntos bíblicos...)
Desce o crepúsculo
E, quando a primeira estrelinha ia refletir-se em todas as poçasd'água,
Acenderam-se de súbito os postes de iluminação!"
Não dessa tristeza ignominiosa dos que, em vez de se matarem, fazem poemas.
Estou triste porque vocês são burros e feios
E não morrem nunca...
Minha alma assenta-se no cordão da calçada
E chora,
Olhando as poças barrentas que a chuva deixou.
Eu sigo adiante. Misturo-me a vocês. Acho vocês uns amores.
Na minha cara há um vasto sorriso pintado a vermelhão.
E trocamos brindes,
Acreditamos em tudo o que vem nos jornais.
Somos democratas e escravocratas.
Nossas almas? Sei lá!
Mas como são belos os filmes coloridos!
(Ainda mais os de assuntos bíblicos...)
Desce o crepúsculo
E, quando a primeira estrelinha ia refletir-se em todas as poçasd'água,
Acenderam-se de súbito os postes de iluminação!"
sábado, 19 de setembro de 2009
Ctrl + V
"...Todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser
Todo verbo é livre para ser direto ou indireto
Nenhum predicado será prejudicado,
Nem tampouco a vírgula, nem a crase, nem a frase e ponto final!
Afinal, a má gramática da vida às vezes nos põe entre pausas, entre vírgulas
E estar entre vírgulas pode ser aposto
Mas eu aposto o oposto que vou cativar a todos
Sendo apenas um sujeito simples
Um sujeito e sua oração
Sua pressa e sua verdade, sua fé
Que a regência da paz sirva a todos nós... cegos ou não
Que enxerguemos o fato
De termos acessórios para nossa oração
Separados ou adjuntos, nominais ou não
Façamos parte do contexto da crônica
E de todas as capas de edição especial
Mas, porém, contudo, entretanto, todavia, however
Sejamos também o anúncio da contra-capa
Porque ser a capa e ser a contra-capa...
É a beleza da contradição!
É negar-se a si mesmo,
E negar a si mesmo pode ser, muitas vezes, encontrar-se com Deus
Com o teu Deus
Sem horas e sem dores
Que nesse encontro que acontece agora
Cada um possa se encontrar no outro
Até porque...
Tem horas que a gente se pergunta:
Por que é que não se junta tudo numa coisa só?"
Por: Fernando Anitelli
Para: Gisele da Gama Melo :)
Todo verbo é livre para ser direto ou indireto
Nenhum predicado será prejudicado,
Nem tampouco a vírgula, nem a crase, nem a frase e ponto final!
Afinal, a má gramática da vida às vezes nos põe entre pausas, entre vírgulas
E estar entre vírgulas pode ser aposto
Mas eu aposto o oposto que vou cativar a todos
Sendo apenas um sujeito simples
Um sujeito e sua oração
Sua pressa e sua verdade, sua fé
Que a regência da paz sirva a todos nós... cegos ou não
Que enxerguemos o fato
De termos acessórios para nossa oração
Separados ou adjuntos, nominais ou não
Façamos parte do contexto da crônica
E de todas as capas de edição especial
Mas, porém, contudo, entretanto, todavia, however
Sejamos também o anúncio da contra-capa
Porque ser a capa e ser a contra-capa...
É a beleza da contradição!
É negar-se a si mesmo,
E negar a si mesmo pode ser, muitas vezes, encontrar-se com Deus
Com o teu Deus
Sem horas e sem dores
Que nesse encontro que acontece agora
Cada um possa se encontrar no outro
Até porque...
Tem horas que a gente se pergunta:
Por que é que não se junta tudo numa coisa só?"
Por: Fernando Anitelli
Para: Gisele da Gama Melo :)
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