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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Não me deixe só

Às vezes eu temo a solidão. Até eu. Naquela noite escura e silenciosa, pode-se dizer que foi pavor o que eu senti. Medo do agora e medo do que me espera lá fora. Eu nunca fui tão forte quanto pareci, mas sempre tentei chegar perto daquilo que eu mesma pensei que fosse, mas logo eu, que sempre achei tão ridículos aqueles apelos implorando por não ter a própria companhia. Logo eu, que considerava realmente sortudos aqueles que naufragavam em ilhas desertas (e sobreviviam). Eu que sempre fui, de fato, a pessoa mais importante da minha vida. Agora eu, com medo da solidão, medo da contradição. Medo de que um eu saia de outro e mate outros tantos dentro de mim, medo de não suportar a minha própria companhia, medo do excesso de informação sem um lugar pra descarregar. Sobretudo, medo de mim, dos meus fantasmas, das minhas próprias críticas, da minha loucura. Provavelmente é esse o filme que aqueles náufragos veem dentro de si, mas eles veem em 3D. Ser humano é bicho sociável e gosta de gostar, o medo da solidão é inevitável e inato, mas às vezes a baixa expectativa é o grande segredo, pra realidade mostrar que não é tão ruim assim. Eu acho até que ela é minha amiga, amizade tem disso...

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Consolos Exatos

"Quando não se tiver mais certeza de nada, lembre-se de que a soma dos ângulos internos de um triângulo será sempre de 180º". Animador, não é? Não, eu não sou uma máquina, apenas não tenho a menor paciência e o talento para sentimentalismos.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Assim tornou-se a fonte

Me trouxeste alegria
Levando assim embora a melancolia
E àqueles que dizem que é ela a inspiração
Eu digo: não
A inspiração vem da mistura
Deixa vir de você?
E assim tornou-se a fonte...

Prendam-na!

Eu queria poder entender essa mania que a gente tem de procurar o culpado de tudo que acontece e de preferência massacrá-lo em praça pública. E quando a culpa não foi de ninguém? Me apavora essa falta de objetividade, tudo acontecendo pelos bastidores. São todos tão solidários que ninguém é capaz de estender a mão estando completamente são. Tudo bem, há um culpado e todos o conhecem, mas e se ele precisar de ajuda? Será que ninguém aqui reconhece? É tudo tão pequeno, é só dinheiro...É tudo tão grande...É confiança. Mais que amizade, eu quero um pouco de compaixão. Eu não quero te ver chorando escondida, amiga, sei que não é intencional, sei que não é você.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Desculpe

Peço desculpas a todos aqueles que tinham algum tipo de expectativa em mim, mas não, o espírito natalino não toma conta do meu coração. Sou anticristo, não aprendi a dividir e incrivelmente não me torno uma pessoa melhor no dia 25/12. Talvez seja por isso que dizem que sou fria e insensível, e portanto, mais uma vez eu me desculpo. Ah, além disso, desculpe Papai Noel, eu não acredito em você. Enfim, a quase todos, um feliz natal.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Ao infinito

Eu quero ouvir o silêncio
Quero olhar para o nada
Só por um instante, quero que o tempo seja só meu
E que o meu, seja seu também
Vamos fugir?

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Nos limites da contradição

Enquanto eu vejo tudo que eu construí se acabando, as coisas ruins e as coisas boas, eu sorrio.
Sinto no ar um cheiro de novas perspectivas, e minha alegria de repente desafia as leis da gravidade. Bem-estar é o nome disso. E enquanto eu sorrio, eu choro. Saudade é o nome disso. Ambivalência é o meu nome. Mas quando o amanhã chegar, só a alegria vai ficar. E eu. E você? E a gente, cadê?

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Viva!

Viva à certeza e à dúvida, à racionalidade e à ilusão. Viva à filosofia, à arte e à matemática. Viva às pessoas, aos animais e aos vegetais. Viva às metades e aos inteiros, aos casados e aos solteiros. A quem comemora, e a quem chora, pois a melancolia é fonte de inspiração. Viva à constituição e a quem faz questão de não cumpri-la. Um grande viva à liberdade de expressão e aos repressores que martirizam e fortalecem. Viva aos ateus e aos teístas, viva à diversidade e ao respeito. Assim como Raul Seixas, eu grito um viva à sociedade alternativa, e a todas as outras. Meu viva maior à vida. Viva a vida.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Covardia!

Descobri que sou covarde. Covarde sim! Sem contar que descobri também que não sou nem um pouco diferente dos fanáticos cheios de ideologia e cegos a qualquer tipo de busca por verdade.
Pois bem, quando era pequena, eu tinha medo de tudo. Sobretudo, eu morria de medo de Deus. É estranho, mas por mais que me dissessem que ele era bom, me diziam que governava tudo. Quem governa tudo, fundamentalmente governa também a maldade, Ele viria me julgar. E o que a criança faz quando tem medo? Conforta-se: Fique tranquila, não existe, não vai aparecer. Essa criança cresceu como criança que teve medo de papai noel: Está certo, Papai Noel não existe! - dizem a estas os adultos.
Mas o que ouvi eu? Você é uma pessoa má, pois não tem Deus no coração!
Isso os torna também covardes. Me torna covarde. Logo, ninguém escapa.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O fim da rapariga

A história é muito simples:
Aquele intelectual, com seu habitual tom de superioridade confessa à menina:
- Como não suporto aqueles rebeldes sem causa! Desordeiros eles!
A rapariga, que, diga-se de passagem, nunca fora flor que se cheire, respondeu então, contrariada e eufórica, quase aos gritos:
- Pois estes rebeldes sem causa não existem! Protesto contra minha própria ignorância, e com o perdão da palavra, contra a sua falta de protesto.
A moça fora calada, o moço fora aclamado. E assim foi, até o fim dos tempos. Mas a humanidade progride...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Seres apáRticos

O que eu escrevo, ninguém lê
O que eu digo, ninguém escuta
Talvez esteja errada...
Talvez sou só mais uma entre esses profetas que anunciam, desde o início, que o fim está próximo.
Talvez, eu seja nada. Ou talvez, eu seja tudo.
Tudo pra mim.

Por que?

Para nós, seres humanos a pergunta mais difícil de ser respondida é um simples “Por que?”, e uma vida inteira pode ser muito pouco tempo para fazê-lo. Por que? Ninguém entende.

Sobre o Catolicismo

É essa bondade egoísta e um tanto maldosa que me enlouquece. Os bons são bons para irem ao céu, com uma morte boa e não arder no fogo do inferno ao lado de Lúcifer. Nada é para o outro, nada é para o mundo. Tudo é para eles mesmos. E o pior, nada é para vida, vivem pela morte. Seja bom, pague o dízimo, vá à missa aos domingos e sacrifique-se por sua fé assim como fez Jesus Cristo, que ganharás o teu lugar no céu. Não era algo parecido que os Tiranos Católicos faziam na Idade Média?! Não, não pode ser, a história mudou, e agora está limpa. Ademais, questioná-la seria um grande pecado meu.

A maldade

É a tal da maldade que me assombra
Que há tempos se mudou pro meu país
Aos poucos, foi se adonando da minha casa
E agora - danada! - se apossou da minha alma.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Quem sou eu?

Se alguém me perguntar quem sou eu, eu responderei:
Sou muito mais que meu nome ou um conjunto de adjetivos
Por mais complexos que eles sejam
Sou a sobrevivência de meus antepassados,
A sobrevivência de inúmeras guerras e epidemias
A sobrevivência do acaso
Muito mais que uma sobrevivente
Eu sou uma vida
E faço parte de uma loteria
Onde só aparecem os vencedores

Sexta-feira 13

O ser humano, na sua vã existência, teria motivos para impressionar-se e assustar-se pela vida inteira. Não entendemos nada, é como um jogo onde você não sabe as regras, e nem a hora de acabar. As pessoas deveriam impressionar-se com isso a vida inteira, acordar todas as manhãs e pensar: "Eu sou um ser vivo, o milagre da criação e da razão, e não existe qualquer outro igual a mim", mas esperam um dia, a sexta-feira 13 para imaginar seres fictícios, projetar a existência de coisas que são menos assustadoras do que a nossa própria existência, e insistem em "celebrá-los". Assustador é esse vício que o ser humano tem de habituar-se...

Vitrais coloridos

Sentar na janela
E ver o mundo
Através de vitrais coloridos
O mundo vermelho ou verde
Azul ou amarelo
Era tão sem graça...
O bonito do mundo é o contraste!
De que cor você o enxerga?

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Filósofos natos

Eu e toda a minha ingenuidade típica das menininhas de 13 anos, acredito que posso mudar o mundo. Por que não? Para os típicos adultos chatos e "robóticos" do clássico "sim, senhor" essa é a maior besteira que já ouviram. Por isso é que é tão bom ser uma eterna criança. As crianças têm as duas coisas mais admiráveis que um ser humano pode ter: curiosidade e esperança. A minha criança interior acredita em si. Os homens nascem filósofos, crescem, e se tornam, de fato, homens. É um caminho deprimente...

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Sócrates

Hoje afirmo que não sabemos quem somos, qual o sentido da vida, para onde vamos ou de onde viemos. Ninguém sabe. Mas como não preocupar-se com isso? Essa é a essência, somos nós. Não interessar-se por esses problemas é não interessar-se por si mesmo.
Mas como diz Fernando Anitelli: "É mais fácil conviver com a tristeza generalizada do que romper com as correntes de preguiça". Preguiça sim! As pessoas têm preguiça (ou medo?) de pensar. Hoje, durante uma palestra com um filósofo, lembrei de Sócrates.
Sócrates foi um filósofo grego da antiguidade, autor da famosa frase "Só sei que nada sei". Como não se considerava sábio (mas queria sê-lo) ele caminhava pela cidade de Atenas, conversando com as pessoas que eram consideradas na sociedade os grandes sábios, em busca das respostas para suas perguntas. O que ele acabava fazendo, era convencer as pessoas de sua própria ignorância, pois aqueles considerados sábios, sabiam o mesmo nada sobre a vida que Sócrates. O que aconteceu com o nosso filósofo? Foi morto. Condenado a beber um veneno letal em praça pública, caso não retirasse suas palavras (e não o fez).
A humanidade progride, e permanece a mesma. Hoje em dia, são Sócrates todos aqueles que nunca estão satisfeitos com o que sabem. Ser Sócrates é querer sempre mais. Infelizmente, esses são os curingas de um grande baralho, e enquanto a humanidade permanecer humana, será assim.

- Agradecimento ao filósofo Márcio Mallmann e à sua palestra maravilhosa.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

De um certo arrepio

Foi quando ela disse a frase mais clichê que existe, que eu vi que era sincero.
"Quero que vocês todos sejam felizes"
Me arrepiou, e agora ficou em mim...